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Gravidez precoce, um problema social que afeta várias venâncio-airenses

  • 14 de nov. de 2017
  • 5 min de leitura

Em 2016 no município, 13,8% das grávidas, eram adolescentes entre 10 e 19 anos.

O assunto gravidez envolvendo adolescentes circula por muitas polêmicas. Afinal, na maioria dos casos a gravidez não é desejada. Há casos de garotas que sofrem abusos, ou até falta de conversa e explicação dos métodos contraceptivos. Além da gravidez indesejada, as doenças sexualmente transmissíveis estão aumentando nessa faixa etária.

Muitas vezes a gravidez na adolescência está associada ao pensamento imaturo e a não prevenção de forma adequada. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a adolescência é uma fase da vida compreendida entre 10 e 19 anos. Um problema social, que afeta a vida de várias meninas, muitas vezes ainda consideradas crianças.

Venâncio Aires tem 70.179 mil habitantes, segundo dados do Datapedia, e após uma ascensão considerável, vem enfrentando uma baixa no índice de gravidez na adolescência, mas o número ainda é considerável.

Na Capital Nacional do Chimarrão, o percentual de meninas grávidas vem caindo desde 2008. Conforme dados do Site Datapedia, em 2010, 15% das grávidas eram meninas entre 10 e 19 anos. No ano seguinte o número aumentou para 15,30% e após isso vem sofrendo uma pequena queda, visto que no ano de 2014 o percentual era de 12,10%. Das 814 gestantes cadastradas no relatório de pré-natal, fornecido pela Secretária de Atenção à Saúde, em 2016, 112 meninas que realizaram o exame no Posto de Saúde, eram moças entre 10 e 19 anos.

A cidade não conta com programas de apoio específicos para gravidez na adolescência, mas as garotas podem usufruir dos mesmos direitos de qualquer gestante. O município conta com o Núcleo de Apoio da Saúde da Família (NASF) onde as grávidas podem buscar auxílio de médico, enfermeiro, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta e assistente social.

Segundo o Secretário da Saúde do Município, Ramon Schwengber, a unidade de Acolhimento Infantil está fechada, mas a prefeitura está com um projeto para que ela volte a funcionar. Em caso de falta de estrutura familiar, a menina pode buscar apoio junto a essa unidade.

Em conversa com a Psicóloga Adriana Oswald, ela fala que a gravidez deve ser enfrentada com responsabilidade, acompanhamento médico, e no caso, das adolescentes um acompanhamento psicológico para a futura mãe, pai e suas famílias para encarar esse momento de frente. Em relação aos direitos humanos dessas adolescentes ela afirma: "acredito que ainda precisamos avançar muito. Muitos programas em benefício das adolescentes e da prevenção da gravidez na adolescência poderiam esclarecer, prevenir e dar apoio num momento tão importante da vida de uma mulher e do novo ser que está a caminho.".

A maioria da gravidez precoce é descoberta ainda na escola, segundo a Supervisora da Escola Municipal Ensino Fundamental- EMEF- Dois Irmãos, Aline Zeneida da Silva "quando a escola descobre, quase sempre é por acaso". A escola é um ambiente fundamental para a garota, pois é a instituição que orienta, faz o processo de aceitação com a família, encaminha a menina para o posto de saúde mais próximo da casa dela, ajuda a lembrar das consultas, os exames.

Rosangela Kaercher é Orientadora na Escola de Ensino Fundamental Cidade Nova e na EMEF Dois Irmãos, ela também concorda que a escola é fundamental para a jovem e explica que em muitos casos a gravidez é negligência da família. Os pais deixam seus filhos soltos, não trabalham a questão prevenção, e o assunto sexo acaba sendo tabu nas famílias.

"Um trabalho que a escola faz é conversar com a turma, porque as outras meninas estão achando muito legal, tem essa curiosidade do neném, é muito bonito.... Só que a gente começa a fazer conversas alertando que o bebê é bonito, mas a situação não é nada bonita. Nessa idade não é bonito", salienta Rosângela.

Aline conta que a menina não pode reprovar pelo fato da ausência. "Se ela fizer as atividades, ela não reprova pelo fato de estar grávida ou não estar na escola. A jovem tem direito a atendimento domiciliar, e se ela apresentar muita dificuldade na compreensão de conteúdos, ela tem direito de receber a explicação do professor em casa. Atendimento domiciliar a gente combina com a família, agora se a menina não tem condições de vir pra sala de aula, e tem dificuldades, combinamos um horário pro professor ir até ela, ela tem esse direito", esclarece Aline.

No retorno da adolescente após a gravidez, a escola faz um trabalho enorme de aceitação e orientação. Conversa com os demais colegas, explica a situação e em muitos casos pede ajuda a psicólogos. Faz mesas redondas com os alunos, conversa com a família, e está sempre mediando os conflitos.

O assunto prevenção é fundamental, mas Aline desabafa: "Nós falhamos. Não temos tantas horas de profissional. Teria que ser um trabalho preventivo, conversar na sala de aula, os próprios professores trabalham o conteúdo sexualidade na disciplina de ciências, mas isso é só conteúdo. É mais informativo. Falta diálogo, conversa, orientação. Porque as famílias não tem essa conversa. Nesse ponto as escolas precisam caminhar muito ainda."

"Tudo o que tu trabalha tu tem que cuidar pra não estimular, o professor não pode causar curiosidade. O professor precisa buscar material, se informar", expõe a Orientadora.

A importância do apoio escolar e familiar

Flor[1], como prefere ser chamada, ficou grávida com 15 anos. Ela conta que descobriu quando estava no primeiro mês, com um teste de farmácia, e afirma que ter o apoio da escola e da família foi fundamental, além do auxílio do Sistema Único de Saúde (SUS), pois fez todos os exames na rede pública de saúde.

Quando Flor descobriu a gravidez estava infrequente na escola, mas resolveu voltar, mesmo estando grávida. Agora com sua filha nos braços ela tem a disponibilidade de fazer os trabalhos em casa, pois seu bebê está com problemas de saúde. Quando têm dificuldades de entender os conteúdos um professor vai até ela e explica o conteúdo. "No momento eu estou fazendo os trabalhos em casa, porque meu bebê está com problemas de saúde. Mas assim que ela melhorar eu pretendo voltar pra sala de aula", conta.

Ao ser questionada sobre seus sonhos, a perspectiva de futuro, Flor demonstra muita emoção, e escorrem lágrimas em seu rosto.

"Sei lá quais são meus sonhos. Eu não sei. Na verdade agora é só cuidar dela."

Muitas pessoas defendem que com a liberação do aborto casos de gravidez por meio de violência sexual poderiam ser "solucionados". Felizmente esse não é o caso de Flor. Muitos defendem que a liberação é um direito humano. Uma questão muito polêmica, mas segundo a posição da psicóloga é difícil ter um posicionamento único e se trata de uma questão muito delicada com muitos ângulos diferentes de ser avaliados. "Minha posição é sempre em favor do ser humano, das suas condições psíquicas para lidar com a situação que se apresenta e de todas as situações consequentes da decisão tomada. Porém acredito que é um direito humano poder decidir acerca de qualquer questão particular na vida humana."

[1] A pedido da fonte, nome verídico será mantido em sigilo.

Reportagem produzida para a Disciplina de Jornalismo Impresso I

 
 
 

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