A arte rodeada de supostos donos da verdade
- 1 de ago. de 2017
- 2 min de leitura

O mundo está envolto em uma cortina de fumaça tóxica, onde a estupidez é coletiva e o ódio prevalece. O polêmico caso da exposição do Queer Museu promovido pelo Santander Cultural passou a ser o assunto mais comentado das últimas semanas, e frutiferou os mais diversos donos da verdade - por sinal, muitos violentos.
Vamos começar falando pelo nome da exposição. Você sabe a tradução de "queer"? A maioria não sabe... O sentido original da palavra é algo não usual, uma situação anormal, estranho, curioso. Essas palavras por si só definem a mostra.
O fechamento da exposição evidencia o quanto estamos inseridos no mundo de ódio, de sangue nos olhos, intolerância racial, religiosa, política. Enfim, ninguém respeita a opinião do outro. Para muitos, pouco importa onde esteja inserida a razão, quem grita mais, ganha.
A arte não pode agradar todo mundo, porque é preciso que ela promova um debate - saudável, a fim de gerar mais reflexões, mas sem exigir na marra que prevaleça uma verdade única. É bem assim, uns gostam, outros não, isso acontece com música, comida, estações do ano, cor, time.
No passado era assim: se eu não concordo, não vejo. Agora é: se eu não concordo, ninguém vê. Acredito que censurar é manter uma ideologia trancafiada. A exposição queria promover uma abordagem sobre a expressão e identidade de gênero. Possibilitar uma reflexão sobre os desafios que enfrentamos em relação a questões de gênero, diversidade, violência.
Porém, assim como no cinema, na programação da televisão, porque não estabelecer uma faixa etária para apreciar as obras? Sim, faixa etária. Não censura, mas sim lucidez. Nem todas as expressões artísticas são adequadas para todas as idades. Mas isso é muito diferente de moralismo e proibicionismo. Temos aí uma questão de limite.
É nessa hora que pais precisam saber o quanto seus filhos têm de maturidade. Não adianta se revoltar contra a exposição e deixar seu filho de 10 anos assistir novela das nove sem devidas conversas, explicações. Fazer o uso da internet sem supervisões. Se você acha que não é um espaço para seu filho, tudo bem. Mas será que não é melhor você pai/mãe, mostrar o mundo, o que existe lá fora e expor do bom ao ruim, de mãos dadas com ele. Quem sabe assim, você evita que ele se torne mais um filho da "tradicional" família brasileira onde no submundo da internet apontam o dedo para o que defendem.
O caso da Exposição do Santander, exibe nada mais do que nossa educação! Somo seres humanos insensíveis à diversidade e esse é mais um sinal dos dias sombrios que atravessamos. Precisamos lutar contra o ódio. Que esse caso sirva de reflexão para não cometermos erros futuros que possam agravar ainda mais a humanidade como um todo.
Artigo de opinião produzido para Disciplina de Jornalismo Impresso II.























Comentários