Experiência dos anos 50 vivida no século XXI
- 19 de jul. de 2017
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Nos últimos dias, estou vivendo na pele o que minha avó sempre me contava, - "Na minha época, não existia essas tecnologias que vocês têm hoje, eu, quando criança , não tinha luz elétrica, ninguém tinha luz minha neta". Minha avó conheceu energia elétrica depois de anos casada. E para ela, essa situação que estamos vivenciando hoje, é "normal".
Fique calmo! Já vou explicar o que estou passando, e compartilhar minha experiência única dessas 98 horas sem energia elétrica, até o momento em que escrevo essa crônica.
No domingo pela manhã acordei com aquele sol lindo adentrando a janela do meu quarto, o dia parecia ser prefeito, tomei aquele banho, preparei um chimarrão bem bagual, e, juntamente da minha família, ajudei a preparar o tradicional almoço de domingo: aquele churrasco com maionese.
Decidi aproveitar a tarde. Terminei a leitura do livro da renomada jornalista Eliane Brum, descansei, atualizei meu e-mail, e por fim tomei mais um banho, porque a noite estava chegando. Esse foi um último banho com água quente e energia elétrica.
Bastou com que eu saísse do banho e o "mundo começasse a desabar". Em questão de minutos, um terrível vento começou a bater janelas e portas, folhas começaram a voar, e eu, sem saber o que fazer, me recolhi. Foram três piscadas na luz, e ela não voltou mais.
Só então pude perceber que o Rio Grande estava sendo abalado com fortes ventos, o que ocasionou muitas quedas de árvores, destelhamentos, prejuízos. E na Capital Nacional do Chimarrão, não foi diferente. O município de Venâncio Aires foi impactado de norte a sul.
Após os fortes ventos, veio a chuva calma e serena. Ela veio para acalmar todo o estrago que o vento deixou. Foi então que resolvi sair de casa, e foi ali que entrei em choque. Foi triste, ver todo o esforço dos meus pais, no chão. Foi triste ver as casas dos meus vizinhos destelhadas. Era criança chorando, marido e mulher gritando. Foi triste ver postes de energia elétrica sobre as casas e aquele medo que as pessoas tinham em sair. Foi triste ver todo o esforço-da minha localidade, dos meus vizinhos, amigos, - perdido, desperdiçado.
Depois de ver tudo isso, não posso reclamar dos meus banhos gelados, dos jantares à luz de vela, dos banhos de bacia, da geladeira vazia. Sim, geladeira vazia, porque nada se conserva. Ver casas destruídas, lavouras de tabaco, soja, milho, árvores de eucalipto perdidas, todo o sustento da família sendo levado e destruído pelo vento.
Com toda certeza, a RGE Sul está sendo lenta na recuperação dos estragos nos cabos e postes de energia. A empresa presta um péssimo serviço, uma "matação" de tempo horrível. Equipes enormes, em que quatro trabalham e 10 olham. O mais revoltante é saber que equipes vem até a localidade, olham os estragos e vão adiante, onde os estragos são "menores". Poxa!! Tem poste, cabo, em cima de casas, estradas intransitáveis, e a previsão é de chuva nos próximos dias.
Será que a empresa não consegue disponibilizar um número maior de equipes? Prestar um serviço digno? Entendo e admiro a profissão de um eletricista, os perigos que corre, mas a empresa (terceirizada) que cobra tanto pelo serviço, não tem como melhorar isso? Fica o meu questionamento.
Como eu disse no início, estou dias sem energia elétrica, minha comunidade esta sem energia, localidade está próxima do centro do município. Quando eu sento na sala da minha casa, para terminar de escrever essa crônica, a luz da minha casa voltou, mas hoje já é sábado, amanhã completa-se uma semana do temporal e meus vizinhos ainda não tiveram a energia elétrica reestabelecida, resta agora ajudar quem mais precisa. E obrigado Deus, por proteger minha casa, minha família.
Para minha vó, foi reviver o passado. Eu vivi horas de desespero, medo, estava contando as horas pra tudo se normalizar. Espero não precisar passar por isso novamente, que a previsão do tempo esteja errada, e não se confirme mais um vendaval. Agora vou lá ajudar meus pais, meu vizinhos, é preciso recompor, reconstruir tudo.
Crônica produzida para a disciplina de Jornalismo Impresso II.























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